terça-feira, 30 de julho de 2013
Antologia Sombrias Escrituras
Antologia Sombrias Escrituras aberta até 10/08/2013
A antologia “ANTOLOGIA SOMBRIAS ESCRITURAS – CONTOS SOMBRIOS – VOLUME 2” é promovida pela EDITORA LITERATA, em parceria com o site Sombrias Escrituras (www.sombriasescrituras.net), e organizada pelo administrador do site, Sr. Arcano.
A antologia “ANTOLOGIA SOMBRIAS ESCRITURAS – CONTOS SOMBRIOS – VOLUME 2” é promovida pela EDITORA LITERATA, em parceria com o site Sombrias Escrituras (www.sombriasescrituras.net), e organizada pelo administrador do site, Sr. Arcano.
Antologia Navras Digital
Antologia Aberta até 05/09/13:
No dia 05 de Julho estará aberta a coletânea a Revolução das máquinas pela editora Navras Digital.
Para maiores informações: http://navras.com.br/coletanea-a-revolucao-das-maquinas-organizador-ademir-pascale/
No dia 05 de Julho estará aberta a coletânea a Revolução das máquinas pela editora Navras Digital.
Para maiores informações: http://navras.com.br/coletanea-a-revolucao-das-maquinas-organizador-ademir-pascale/
segunda-feira, 29 de julho de 2013
A LUZ NO FIM DO TÚNEL
A LUZ NO FIM DO TÚNEL
Sentia-me
selvagem de verdade, caminhando na natureza nua e crua com o vento em meu
rosto, despenhadeiro de um lado, montanhas mais alta que prédios do outro e
entre o mundo real e eu, um abismo... Mas o que importava é que eu estava lá,
respirando ar puro e sentindo a liberdade correr em minhas veias, a estrada de
ferro desaparecia no horizonte, os trilhos brilhavam e pareciam evaporar com o
sol escaldante do meio dia, eu seguia em frente a despeito do calor e sentia-me
bem, vivo.
Chegando ao túnel cuja extensão desconhecia
resolvi parar mesmo debaixo do sol e esperar um trem, pois não queria estar
dentro quando ele viesse, porém passou-se mais de uma hora no calor de apenas
alguns minutos e decidi seguir em frente apesar do perigo, era até mais
emocionante assim.
O
maldito túnel era realmente longo e a luz ia abandonando-me a cada passo
adentro. Comigo seguiam os passos e uma sentimento de que já tinha vivido
aquela cena, ruídos e sussurros atormentavam minha sanidade, mas eu seguia em
silêncio, de repente nada mais daquilo que eu era fora dali fazia sentido e uma
sensação de solidão invadia meus pensamentos, meu corpo, minha alma... E eu
sequer acredito em alma.
Ela
estava lá, a luz na outra extremidade... Só mais alguns passos e estarei
livre... Mas percebo que há muitas pessoas comigo e todas querem a luz, todas
querem chegar ao fim do túnel, algumas correm de um lado para outro inquietas,
desesperadas.
São
apenas sombras disformes de olhares parados, entorpecidos, mortos.
Esses
seres de pensamentos vazios, não podem me ver, não sabem que estou ali, sinto
um medo tão intenso capaz de materializar a dor. Sinto-me impotência diante da
realidade desfigurada dobrando sobre mim, e pesando diante dos meus olhos,
atraindo-me para o brilho da luz, só mais alguns passos e... não, espera! É
isso! Não posso alcançar a luz, ela é o fim, a morte... não, não posso.
E
o tempo correu rápido demais em volta do meu corpo inerte... Então a luz veio
até mim... Sentia-me selvagem de verdade...
JACK DOS SALTOS DE MOLA
JACK
DOS SALTOS DE MOLA
Esse conto é baseado em uma
história real que aconteceu em 1838 na Inglaterra.
“Surgiu das neblinas da noite, dando
saltos enormes, o super-homem que manteve uma nação dominada pelo terror
durante mais de 60 anos.”
(o grande livro do maravilhoso e do
fantástico, 1977)
Na madrugada do dia 13, as luzes do
giroflex invadiram o apartamento, o brilho colorido penetrou a cortina branca
desenhando figuras sombrias nas paredes recém pintadas, os pés descalços
tocaram o piso de madeira envernizado e seguiram para a janela entreaberta, o
vento gelado adentrava as entranhas da alma, ela observou silenciosamente o
movimento lá fora... mais uma vítima, agora em um beco próximo de onde morava,
com essa já eram 15 moças mortas pelo misterioso assassino.
A primeira coisa a qual deitava os
olhos quando acordava pela manhã era o velho porta retrato cuidadosamente
posicionado ao lado da cama, fitava por alguns minutos o olhar terno de seu
finado marido e suspirava de saudades. A senhora, já aposentada há alguns anos,
vivia o resto de sua vida de lembranças do passado, levantou, vestiu-se com
dificuldade e saiu apoiando-se em sua bengala. Os policiais ainda estavam à
procura de pistas e da cabeça, o assassino era esperto... todas as vítimas,
mulheres jovens, foram violentadas, antes e depois de mortas e suas cabeças,
arrancadas e deixadas em lugares públicos e bem altos, lugares que não poderiam
ser alcançados sem uma escada bem longa, mas o curioso é que assassino fazia
isso sorrateiramente, sem ser visto por ninguém.
A velha caminhou lentamente em
direção ao mercado ao qual ia todas as manhãs, percebeu uma agitação na praça
do bairro e seguiu para o burburinho... era a cabeça, estava presa em um poste
de luz alto no meio da praça. Impossível de ser alcançado sem uma escada, ou
uma corda, tentava imaginar como isso era possível e de repente viu algo que a
fez tremer, algo que trouxe a tona lembranças já há muito tempo enterradas no
fundo de sua mente... e dentro de um caixão fechado... seu anel de noivado,
caído próximo a cena do crime... um anel simples banhado a ouro que ela
enterrou junto com seu esposo quando ele morreu.
Voltou para casa meio atordoada e
muitos flashes de acontecimentos passados invadiam sua memória, ela agora, uma
velha já tão debilitada já fora uma bela moça assim como as vítimas desse
assassino... e houvera em seu passado uma figura misteriosa que assombrava a
cidade onde viveu, fazendo dezenas de vítimas... ele era chamado Jack dos
saltos de mola, uma aberração da natureza que dizem saltava metros de altura e
violentava as moças da pequena cidade, não se sabe se isso era verdade, mas o
fato que a polícia local investigou o fato por muito tempo. E muitos relatos de
pessoas que viram a figura aterrorizante pulando pelas ruas e telhados das
casas espalhou o pânico por toda Inglaterra durante sessenta anos.
A escada era longa, e o elevador
quebrado há dois meses a obrigava a exaustiva subida que lhe fazia as pernas
queimarem, às vezes se perguntava por que morava tão alto, no apartamento
pequeno ela raramente recebia visitas. O silêncio era soberano e a velha
senhora conversava com os retratos inertes por todos os cômodos, retratos de
pessoas que ela já não reconhecia filhos, irmãos e amigos que nunca teve e
recortes de jornais emoldurados sobre o mistério do Jack salto de mola e a
morte de seu marido que, ela acreditava estar relacionada.
Na sala escura ela repousava
todas as tardes sobre sua confortável cadeira de balanço em frente a TV
desligada, com o desenho feito a próprio punho do misterioso ser que a
assombrava, entretanto dessa vez algo a mais a atormentava o anel encontrado a
fazia crer que ele estava de volta e que a estava procurando.
A exatamente setenta anos ele
apareceu pela última vez, ela era apenas uma garota de dezoito anos, recém
casada e se recuperando de um aborto espontâneo que a impossibilitou de ser
mãe, estava trancada no banheiro e passava uma lamina afiada pelos pulsos na
tentativa de tirar a própria vida, quando ouviu batidas na porta. Era
aproximadamente meia noite e seu marido estava ausente, ele era médico.
Assustada ela caminhou até a porta com os pés descalços no chão frio... os
pulsos sangravam um pouco, mas não o suficiente para que morresse. As batidas
eram fortes e insistentes, ela se aproximou da porta lentamente. As batidas
cessaram. Colocou o ouvido na madeira em busca de algum ruído, mas não houve
tempo, em questão de segundos ele estava sobre ela, seu olhos de brasa a
cegaram e ele passou a corda em seu pescoço, mas antes que a luz a tirasse a
visão ela pode ver chifres e que para ficar do tamanho dela a criatura estava
de joelhos.
Ele lhe rasgou a camisola apertando
a corda em seu pescoço frágil, lhe abriu as pernas com violência e fez com ela
o que lhe dava a fama monstro. Ela mergulhou em um mundo de escuridão, acordou
com dois baques surdos e viu a aberração morta a sua frente, dois tiros na
cabeça, em sua mão, ainda com fumaça no cano, uma pistola, largou a arma com
repulsa, o sangue que escorria por suas pernas era igual ao que formava uma
poça sob o corpo imóvel... e agora ele não parecia tão grande, nem tão
ameaçador, ao se aproximar percebeu seu erro mortal... o cadáver era de seu
marido.
As lágrimas encharcavam o desenho em suas
mãos, pelo reflexo da TV, contemplava seu rosto flácido e enrugado, já fazia
tanto tempo, mas ela nem sempre se lembrava de tudo. A noite sorrateira inundou
a sala, e ela não tinha mais dos que a fraca iluminação da rua adentrando pela
janela quando um barulho na cozinha a deixou alerta, levantou-se com
dificuldades e caminhou até o corredor pouco iluminado. Algo se movia
lentamente, fazendo um chiado no piso de madeira, aos poucos a figura se
revelava na luz fraca... era uma mulher, nua de cabeça para baixo, seu corpo
coberto de sangue girava, mas a cabeça apoiada no chão permanecia imóvel, com
os olhos vermelhos e iluminados...
A velha não se lembra de ter deitado,
mas acordou suando frio na sua velha cama com o retrato na sua frente e o anel
posicionado em seu travesseiro, caminhou até o corredor e um risco no piso
desenhava a trajetória da criatura medonha que vira na noite passada. A caminho
do mercado viu mais uma vítima ser recolhida de seu leito de morte, o contraste
da pele branca o do vermelho intenso do sangue lhe eram familiar.
Naquela tarde a velha permaneceu com
os olhos fixos no desenho, porém agora, ela já não tinha certeza de que ele era
realmente daquele jeito, talvez ele fosse mais baixo, ou mais velho... com
certeza mais velho. Pelo reflexo da TV fitou sua face pálida, como em um
pesadelo viu seu rosto se transformando... seu cabelo, seus olhos, sua
expressão, viu a figura do Jack surgir em sua face como ela o imaginava agora,
não da forma que ela desenhou há sessenta anos, não tinha chifres, e sim
orelhas pontudas e seus olhos eram gelo. Ela assustada, com a boca e os olhos
abertos em espanto, se afastou aos tropeços da TV, tocando o próprio rosto em
busca de mudanças, mas tudo parecia normal, enquanto na tela ele se
transformava a cada detalhe que a velha inventava em sua mente, misturando-se
com as faces dos retratos e suas lembranças confusas... até surgir por completo
uma nova criatura, com o mesmo propósito.
Em segundos a imagem se projetava
para fora do aparelho, uma figura fantasmagórica de dois metros de altura, com
rosto desfigurado exibia seus dentes pontiagudos em uma gargalhada que ecoou
pela sala escura, caminhou com vigor para a janela onde desaparece em um salto.
A velha senhora, com o coração acelerado e as pernas trêmulas demais para
suportar o próprio peso, ainda assim, arrastou seu corpo inútil o mais rápido
que conseguiu até a janela onde pôde ver Jack sumindo por entre o emaranhado de
prédios aos pulos de mais de cinco metros de altura.
O
COLECIONADOR DE OLHOS
Ele, sentindo-se soberano,
suspirava ao contemplar sua obra prima banhada em sangue e dor, sorria
satisfeito com a absoluta certeza de que naquele momento ele era o ser mais
poderoso, mais forte e mais inteligente do universo... maior, até mesmo, do que
o onipotente, o próprio Deus.
Ela, perdida em delírios, sentia frio e
agonizava em seus últimos segundos de vida, esperava ansiosamente que a morte a
cobrisse com seu manto morno e escuro e a levasse para o nada.
Para ele a respiração pesada de sua mais nova
vítima anunciava o fim... ou o começo; não sabia dizer, mas o fato é que ele
tinha o que queria; os olhos, e esses eram os mais lindos que ele já vira...
olhos verdes e grandes, ele não pode resistir...
*****
O suor escorria por seu rosto vermelho, dias
de sol quente o deixavam aborrecido, passava horas na garagem, fazendo o que
mais lhe dava prazer... escolhia cuidadosamente sua presa, preferia as que
possuíam o olhar mais atraente, então as colocava em sua armadilha.
Na garagem escura e mofada ele
tinha tudo que precisava, as ferramentas de carpintaria recebiam outras
funções... todas designadas a torturar as vítimas infelizes.
Dessa vez ele escolheu uma pequenina de olhos penetrantes e misteriosos,
carregava a inocência de uma criança e a malícia de uma caçadora. Deu trabalho
no início, quando percebeu a enrascada gritou e se debateu, mas ele era
experiente, a prendeu com muita destreza sobre o balcão, enrolando-a em arame, bem firme para que ela não pudesse se mover. Ele adorava sentir o
desespero vazando pelo semblante aterrorizado delas... era sempre assim, elas
lutavam, lutavam; até perceber o quanto era inútil tentar fugir... ainda para
evitar que isso acontecesse ele sempre cortava os pés das suas vítimas, para
isso usava uma serra e fazia lentamente o serviço, saboreando cada segundo de
desespero da pobre alma.
A furadeira ela velha, fazia um barulho alto
que abafava os gritos desesperados, esganiçados, praticamente instintivos,
enquanto ele perfurava o corpo indefeso... ah! como ele adorava aquilo, podia
fazer o dia todo... por cada orifício aberto vazava um filete de sangue tão
vermelho, tão quente... sentia que a vida dela estava em suas mãos... o poder
sobre a vida e a morte.
Os ossos frágeis se quebravam com facilidade,
a medida em que descia o martelo, menos restava da estrutura que podia a manter
em pé, e ela resistia... depois de tudo, ainda não sucumbira a dor... era
valente, mantinha os olhos bem abertos e aceitava como uma mártir seu destino
cruel.
Enquanto ele brincava de Deus sobre o corpo
moribundo, o sangue vermelho intenso pingava no chão de piso claro como uma
ampulheta que conta os segundos para que a vida se esvaísse por completo
levando consigo o brilho daquele olhar e congelando no pequeno rosto uma
expressão de angustiante de dor.
Com um canivete prateado ele arrancou os olhos
da sua vítima, ele foi muito cuidadoso, quase um perito. Dirigiu-se para uma
grande caixa de madeira e depositou seu troféu em um pequeno recipiente de
vidro, onde jaziam vários outros olhos deteriorados... alguns não passavam de
uma sujeira irreconhecível; ele não sabia como conservá-los.
Observou em silêncio até que ela deixasse de
lutar e partisse dessa vida, sentiu que estava pronto para algo maior...
Batidas na porta de alumínio da garagem fez
com que sentisse calafrios:
- Filho o jantar tá pronto!
-Já vou!- sua mãe nunca entrava ali... e nesse instante um pensamento
inacreditavelmente hediondo lhe passou pela jovem cabeça, lhe causando tamanha
excitação que não pode conter o sorriso vazando pelo canto da boca... passou os
olhos pelas ferramentas espalhadas e deixou a garagem em direção a cozinha.
O garoto robusto raramente era visto na
vizinhança, conhecido por sua crueldade com animais era o primeiro suspeito no
caso do desaparecimento dos gatos daquele local, porém naquela tarde o menino
introvertido estampava um sorriso largo no rosto, com um martelo na mão seguiu
para o jantar com uma só certeza: nunca viu olhar mais bonito que o da sua mãe.
FIM
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